São José do Rio Preto / Catanduva
Gaeco denuncia ex-presidente da Câmara de Catanduva, filho dele e assessores por lavagem de dinheiro envolvendo quase R$ 4 milhões

Investigação revela esquema de desvio de dinheiro e contratos fraudulentos em Catanduva
O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) denunciou o ex-presidente da Câmara Municipal de Catanduva (SP), Marcos Aparecido Ferreira (PT), o filho dele, ex-assessores parlamentares e outras pessoas ligadas ao grupo político pelo crime de lavagem de dinheiro.
A denúncia do Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP), divulgada na terça-feira (3), é um desdobramento da "Operação Rei do Pix", realizada em junho de 2026 para identificar um esquema de desvio de verbas públicas de quase R$ 4 milhões entre 2023 e 2024, período em que Ferreira comandava a Casa de Leis.
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📌 De acordo com o MP, o nome "Rei do Pix" faz referência ao apelido pelo qual um dos investigados era conhecido nos bastidores da Câmara de Catanduva.
Ao todo, sete pessoas foram denunciadas. O Gaeco confirmou ao g1 que assessores envolvidos no esquema também foram incluídos no processo, mas não divulgou os nomes.
Marcos Aparecido Ferreira Filho à esquerda e Marcos Aparecido Ferreira (PT) à direita, envolvidos na operação Rei do Pix, em Catanduva (SP)
Instagram/Reprodução
Segundo as investigações, as manobras financeiras clandestinas do grupo para camuflar a origem do dinheiro teriam movimentado pelo menos R$ 3,89 milhões. Entre os principais nomes estão pai e filho:
Marcos Aparecido Ferreira (Marquinhos Ferreira): ex-vereador e ex-presidente da Câmara (2023–2024);
Marcos Aparecido Ferreira Filho: filho do ex-presidente e ex-assessor parlamentar.
O g1 entrou em contato com a Câmara Municipal de Catanduva e com as defesas de Marquinhos Ferreira, e de seu filho Marcos Aparecido Ferreira Filho, mas não obteve retorno até a última atualização desta reportagem.
Lavagem de dinheiro
Promotores do Gaeco, com apoio da PM, realizam operação na Câmara de Catanduva (SP) e em outros endereços nesta terça (2), em investigação contra lavagem de dinheiro e desvio de recursos
Madelyne Boer/TV TEM
De acordo com o Gaeco, os recursos desviados dos cofres da Câmara eram reinvestidos por meio de fraudes.
Imóveis em nome de 'laranjas': O dinheiro desviado financiou empresas e a compra, construção e reforma de imóveis de alto padrão que, embora registrados formalmente por terceiros, pertenciam ao ex-presidente da Câmara.
Técnica de 'smurfing': O grupo realizava a prática de depositar valores abaixo do limite de alerta sucessivamente, dificultando o rastreamento financeiro.
Notas frias e repasses: Empresas de fachada ou companhias que alteravam seus contratos sociais simulavam serviços fictícios ao Legislativo, emitiam notas fiscais fraudulentas e devolviam entre 90% e 95% do valor liquidado aos líderes do esquema.
Ainda conforme o MP, os suspeitos utilizavam uma empresa de fachada, a qual recebeu R$ 100 mil pela hidratação de poltronas de couro, serviço que nunca foi executado.
Na primeira fase da operação, houve uma mobilização de 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e três equipes da Polícia Civil.
Promotores do Gaeco, com apoio da PM, realizam operação na Câmara de Catanduva (SP) e em outros endereços nesta terça (2), em investigação contra lavagem de dinheiro e desvio de recursos
Google Street View/Reprodução
À época, a 1ª Vara Criminal de Catanduva também havia determinado a indisponibilidade de bens dos investigados em valores que podem chegar a R$ 20 milhões, conforme o envolvimento atribuído a cada suspeito. Também foram apreendidos veículos e quantias em dinheiro.
O Gaeco fez um requerimento à Justiça para que fosse decretado o confisco de bens, imóveis e empresas vinculados à organização criminosa, além da fixação de um valor para a reparação integral dos danos causados aos cofres públicos de Catanduva.
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